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segunda-feira, 13 de abril de 2026

“TAMANHA COLISÃO DE ELEMENTOS OBSTINADOS” ou O LIVRO DOS SONHOS

 Terça-feira, 7 de janeiro de 2020 – 21h52


Eu trabalhava na entrada da chácara, terminando a cerca ao lado da porteira. Também cavava o chão (para quê?). Acabei descobrindo uma caveira que, olhada de perto, era bem mesmo uma cabeça ainda em decomposição, carnes escuras figurando o que teria sido um rosto. Mas era minha própria cabeça, uma antiga que eu teria usado em outro momento de minha vida. Ela tinha sido cortada quase na base do pescoço, que terminava numa série de ossinhos dispostos em círculo como plugues para conectar ao resto. Na minha atrapalhação, acabei acertando a cabeça com a pá e algum líquido esguichou em mim. Depois de ter jogado no buraco alguma coisa imprecisa, ajeitei a velha cabeça na parte mais funda e comecei a cobri-la de terra. Parece que construí finalmente a cerca, mas não como devia e sim em volta daquele túmulo inesperado. Tinha um cuidado enorme com os detalhes do serviço, pois queria provar a meu pai que eu podia fazer uma cerca tão bem quanto ele. Depois eu estava em outro buraco ou depósito e era surpreendido. Era meu pai quem chegava e eu procurava algo pra vestir, pois tinha trabalhado o tempo todo sem roupa. Estava imundo e me sentia ridículo, no ar a sensação opressiva de que eu fazia algo errado, sempre com receio de que alguém passasse na estrada.

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